Sarampo em condomínio - O que fazer?


Comunicação clara e rápida entre síndicos, moradores e zeladores é chave para proteger a comunidade.




O seu condomínio pode colaborar para prevenir ou alastrar o surto do sarampo, que chegou a 1.226 casos confirmados no Brasil, crescimento de 35% em dez dias, segundo o Ministério da Saúde. 


Altamente contagioso - um doente pode transmitir, em média, para 18 pessoas - o sarampo requer medidas rápidas para não se espalhar.


Isso significa que uma pessoa doente, sozinha, pode fazer o vírus chegar a pelo menos todos os vizinhos do mesmo andar.


Responsabilidade dos moradores 

A primeira medida que uma pessoa com suspeita ou confirmação da doença deve fazer é comunicar imediatamente ao síndico, zelador ou administradora. 

Embora esteja previsto na maioria dos regulamentos internos a comunicação de qualquer doença infectocontagiosa, raramente os moradores se atentam à importância dessa ação. 

“Primeiro, eles não reportam por vergonha, por receio de serem discriminados”, opina a síndica profissional Carla Gabriela Rocha.

Síndicos e zeladores podem facilmente contornar essa resistência inicial do morador infectado assegurando que a identidade dele será preservada ao notificar a comunidade a respeito do caso confirmado da doença no condomínio.


Síndico: como proceder em caso de suspeita ou confirmação de sarampo

Ao saber de uma suspeita ou caso confirmado da doença, o síndico deve avisar o mais rápido possível todos os moradores e funcionários a respeito para que tomem os cuidados ou medidas necessárias para se protegerem. 

Para esse tipo de situação, preparamos um outro cartaz para você avisar moradores sobre a ocorrência da doença em seu condomínio

Risco de vida no condomínio

Por se alastrar com muita facilidade e ser letal, não há outro caminho a não ser informar. “Assim o condomínio poderá tomar as medidas cabíveis para resguardar o maior número de moradores possível. Comunicando, a pessoa doente poderá salvar vidas”, enfatiza a síndica profissional. 

A médica infectologista Ana Carolina Marcos reforça a medida.

“Pode haver vizinhos no condomínio que estão fazendo quimioterapia, mulheres grávidas, bebês com menos de 6 meses e pessoas com problemas de imunidade que não podem tomar a vacina e precisam consultar o médico para tomar as providências. Quanto antes o doente avisar, melhor a chance de proteger os demais moradores.”

Caso real - Condomínio “infectado” recebe equipe de vacinação  

Houve um caso confirmado da doença em um dos condomínios em que Carla é síndica, no bairro de Vila Prudente, em São Paulo, cidade que concentra 99,5% dos casos. Ela recebeu uma notificação da Unidade Básica de Saúde da região, que foi informada pelo pronto-socorro onde o morador foi diagnosticado. 


A determinação do órgão foi fazer uma “operação limpeza”, ação de vacinação em que uma equipe vai até o local e vacina todas as pessoas que ocupam o empreendimento. 


“O agendamento foi rápido e a ação aconteceu em um sábado, das 9 às 16 horas. A adesão foi boa, mas quem não foi voluntariamente, a equipe foi até o apartamento para vacinar e para quem se recusou, a orientação era assinar um termo de responsabilidade. A prefeitura está fazendo um bom trabalho”, relata Carla.

Como a equipe disse que a varredura deveria ser feita em 9 quarteirões, Carla incluiu na ação outros dois condomínios das proximidades dos quais também é síndica. 


Devido ao elevado aumento no número de ocorrências, a Prefeitura de São Paulo suspendeu as ações em condomínios com casos confirmados e a orientação é que os moradores se dirijam à Unidade Básica de Saúdemais próxima para se vacinar.


Outras formas de alertar os condôminos

Além dos cartazes citados acima, é válido usar outras formas e canais de comunicação para atingir a totalidade dos moradores. A síndica profissional Carla Gabriela, por exemplo, usa o aplicativo do condomínio para enviar comunicados aos moradores. Para a vacinação, não foi diferente.

“Fizemos o primeiro comunicado com quatro dias de antecedência, e um reforço no dia da vacinação, avisando que a equipe de saúde já estava nas dependências do condomínio.”

A administradora também apoiou a ação, elaborando o comunicado impresso com protocolo, distribuído a todos os moradores, que deveriam assiná-lo assegurando ciência da notificação.

Administradoras

Ações preventivas também estão sendo feitas por administradoras para auxiliar síndicos e condomínios.

Karina Nappi, gerente da Mario Dal Maso Administradora de Condomínio, conta que elaborou um display para disponibilizar em elevadores e quadros de avisos com orientações de prevenção e cuidados.

O material será distribuído para todos os condomínios que administra na zona Sul da capital paulista -  até o momento, sem ocorrências


Campanha de vacinação permanente do SUS




A tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) faz parte do Programa Nacional de Imunização do SUS (Sistema Único de Saúde) e está disponível durante todo o ano na rede municipal de saúde.


A vacina deve ser aplicada em duas doses a partir de um ano de vida da criança até 29 anos de idade. Pessoas de 30 a 59 anos (nascidos a partir de 1960) devem receber uma dose.


A vacina é contraindicada para mulheres grávidas e indivíduos imunossuprimidos.

Em São Paulo, a Campanha Intermunicipal de Vacinação Contra o Sarampo, dirigida a crianças entre 6 meses e 11 meses e 29 dias e pessoas entre 15 e 29 anos, acontece nas cidades de São Paulo, Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Osasco e Guarulhos. Embora esteja previsto o seu encerramento na sexta-feira, 16/8, todas as pessoas que ainda não se vacinaram podem se dirigir ao posto de saúde mais próximo.


E fica o alerta: todas as pessoas devem manter sua carteira de vacinação atualizada. Na dúvida, compareça ao posto de saúde mais próximo munido de sua documentação e peça orientação.

Sintomas do sarampo



A infectologista Ana Carolina Marcos explica que os sintomas clássicos do sarampo são febre mais tosse e/ou coriza e/ou conjuntivite.

Passados 2 a 4 dias desse início de sintomas, surgem manchas vermelhas no corpo, começando atrás da orelha e cervical, espalhando para rosto e tronco. Antes do aparecimento das manchas na pele, podem aparecer pequenas manchas brancas (koplik) na mucosa bucal. 

Pessoas que já se vacinaram podem apresentar os sintomas mais fracos e devem se atentar, pois a doença pode passar despercebida. 

Independentemente se o diagnóstico foi clínico ou laboratorial, a pessoa com quadro leve deve fazer repouso domiciliar, hidratar-se, tomar remédios para os sintomas e evitar circular - neste caso, usar máscara cirúrgica.

“A pessoa infectada para de transmitir a doença após cinco dias do aparecimento das manchas vermelhas, estando liberada para circular”, orienta Ana Carolina.  

Sinal de alerta para a gravidade da doença é a persistência de febre por mais de três dias após o aparecimento das manchas vermelhas, confusão mental, vômitos e convulsão. “Neste caso, deve procurar atendimento médico e pode ser necessária internação.” A confirmação da doença é feita pela sorologia ou exame PCR.


Fonte: Sindiconet

0 visualização

© 2018 Todos os direitos reservados.  Wagner Rocha -Desenvolvido por NX GRUPPE